Lá na Augusta

Lembro-me de descer a Augusta ás sete da noite, o cheiro de maconha perfumava o ar. Aqueles prensados de merda era o que se encontrava. Uma mulher bem vestida oferecia shots de cachaça por um real. Lembro me de sacar duas moedas de cinquenta que restara do troco do salgado e tomar um shot alcoólico. Bum. Bateu. No ritmo de um jazz abrasileirado eu acompanhava o compasso daquela cidade maravilhosa.

Não se faz comédia com o oprimido, e sim com o opressor. Outro diz veementemente que a comédia é para todos e com todos, mas e os oprimidos, os oprimidos. Liberdade de expressão. Ensaios e ensaios sobre comedia, e ainda adultério é um crime social.

Ideias vem e vão pela minha cabeça, vozes s-u-s-s-u-r-a-m em meus ouvidos... aqui dentro, em minha cabeça, rodopiam e zombam de minha cara. Abacate. Chuchu. Palavras surgem sem qualquer significado contextual, mesmo que elas tenham, ele não se mostra palpável. Após cinco shots seguidos, minha cabeça gira. Seis contos de shots.

As amarguras de meu coração, elas se afloram, se mostram férteis e tudo que eu faço para afasta-las é insuficiente, como placebos em uma mente em confusão, minha mente. A solidão uma amiga antiga, se mostra monstruosa e maligna, diferente do que eu a conhecia. O universo se mostra incerto como sempre foi, porém isso me amedronta. E então vaza pela minha boca e pelas minhas narinas, um liquido amarelado e fedido. Vômito.

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